• Esses dias, assistindo a um filme ("Meu encontro com Drew Barrymore"), fiquei pensando sobre a tal teoria dos 6 graus.

    A saber, segundo esta teoria (dizem) provada cientificamente, basta ter 6 contatos nesse mundo para se chegar a pessoa almejada. Em resumo, um orkut da vida. Você tem um amigo, que tem um amigo, que ta na comunidade de fulano, que é amigo de sicrano, que conhece a pessoa "x" que você procura.

    O filme é exatamente sobre isso. O cara é super fã da Drew e através de uma rede de contatos pretende ter um encontro com ela. Filme americanóide, meio cansativo, mas assisti.

    Em tese, a idéia dos 6 graus de separação parece verdadeira, mas será mesmo? Tenho minhas dúvidas. Concordo que se eu quiser encontrar com uma determinada pessoa, posso, mas com todas? Não. Pelo menos, não acho possível, embora não tenha testado.

    Em todo caso, apesar de achar que a teoria não se sustenta para todas as possibilidades, o que fica dela e que me parece bem positivo e muito autoajuda, é que basta querer para conseguir. Quando se quer muito algo, é só correr atrás que se consegue.

    Arriscar é salvar a alma, como disse no filme.

    Interessante isso. Mas ainda assim, ainda aqui, sem um pq, pra que? É necessário ter motivação.

    E mais, quem quero encontrar não está à 6 graus de mim...hahahaha


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  • O que vivemos não é tudo o que poderiamos viver, de fato. Outras realidades certamente ficaram latentes pelo caminho e não se revelaram porque não escolhemos vive-las. Eu não acredito que somos a soma das nossas lembranças, porque não acredito na memória como critério para identidade pessoal, porém, não por isso deixo de acreditar que elas revelem nossa história de vida.

    Curioso é que a minha memória como é sabido não é confiável, pois com frequencia falha. Ai fiquei pensando: como faço para recuperar essas memórias e chegar a pessoa que sou hoje? A saber, louca!

    Tarefa dificil. Bom, muita coisa se perdeu pelo caminho e não consigo mais recuperar pontualmente onde decidi algo que deu uma direção x, enquanto outra opção teria me levado rumo a y,z, etc; lembro pouco da minha infancia. A adolescencia marcou mais, como deve ser comum, mas também não sei mais descreve-la. Engraçado isso...lembro de algumas amigas maravilhadas com as minhas aventuras, particularmente sentimentais, mas não me lembro mais delas. Lembro de algumas pessoas, alguns episódios, mas não das emoções e tudo mais que estava envolvido. E as vezes isso parece triste. Converso com a minha avó e me impressiona o quanto ela tem historia para contar. Qualquer assunto estimula seu pensamento e ela rebobina a fita com uma facilidade invejável; verdade que não penso no futuro, mas terei eu algo para contar? Até poderia ter, mas hei de lembrar? Parece que não.

    Mas também não to escrevendo por isso. Escrevo porque pensei em alguns caminhos que a vida tomou (por opção minha, bem entendido) que poderiam ter me levado a outras trajetórias. Não me arrependo, apenas penso e viajo.

    As vezes as decisões não dependem da gente. Pessoas de certo modo decidem algo e somos obrigados a acatar. Isso, principalmente passado um tempo, dói. Teria eu sido outra se meu primeiro amor, por exemplo, não tivesse partido? Nao sei. Mas acho que embora alguns aspectos fossem diferentes, eu não seria totalmente desconectada desta realidade atual. Naquela época eu já observava o mundo e sabia que alguns comportamentos não me agradavam e jamais gostaria de repetí-los. Ha males que vem para o bem. Mas não 100%. Por outro lado, se eu não tivesse dito um não, hoje certamente um aspecto comportamental da minha realidade teria sido diferente.

    Igualmente, em outros momentos pontuais. Uma das coisas que aprendi nesta trajetória é seguir meus principios. E infelizmente (ou não) sou têtue (cabeça dura / teimosa). Sem acreditar, não vai. É dificil isso. Busco razão em tudo, sempre. Sem pq não consigo sair do lugar; mas também tem um lado bom ai, sempre to conectada com o meu elo...tenho um fio condutor.

    Apesar disso, nem sempre acreditamos no melhor. Às vezes não fazemos boas escolhas. Não são escolhas erradas, discutir valor não é o propósito, mas são escolhas impensadas. Isto no sentido que se ponderassemos um pouco  mais, tudo poderia ser diferente. E esse é o ponto.

    Onde está o ponto principal que desconectou de um caminho e trouxe a outro? Que história alternativa eu poderia ter tido? Como eu seria hoje com outras escolhas?

    Em alguns aspectos, melhor. Em outros, não mudo o que sou por nada. Mas também não consigo me libertar dessas lembranças, soltar a imaginação e fantasiar uma hisória alternativa, que eu poderia ter vivido e supor como seria meu hoje com isso.

    Puts, fui circular. Sai de um ponto e voltei a ele.

    Que raiva, qual será a razão para esse bloqueio imaginativo? Não sei se e
    stá simplesmente numa descrença sobre a memória, na falta dela ou na relevancia da questão. Eu queria me imaginar diferente, mas não consigo.

    Sorry, resta-me o que sou, de fato, em essencia. Louca ou não, com história ou não, sou eu!

    Talvez a essencia seja o que mais importa. A marca ta nela, embora nem
    sempre seja bem compreendida.



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  • - Fran, você tem que dar chance, tem que casar, ter filhos. Tem que ter uma história de vida. Casamento é algo muito bom. Não se apegue aos que não são harmoniosos. Case-se e evite de ser a tia chata e solteirona que nem os sobrinhos gostam de visitar.
    - Pode ser, mas não quero ter filhos, não penso em casar.
    - Olha o absurdo.Como não? Como você vê sua vida amanhã?
    - Não vejo. Não me imagino.
    - Não, tem que imaginar, fazer planos. Você é muito nova, tem que fazer a vida acontecer. Pensa nisso.

    ........

    Cortei a conversa com a pessoa "lição de moral" mas depois fiquei pensando no absurdo que ouvi.

    Se entendi bem, para ter uma história de vida, preciso casar e ter filhos? Concordo que posso ficar uma solteirona chata, mas não a tal ponto, vai? E também, é um problema não conseguir me imaginar amanhã?

    Bom, vamos por partes.

    O que é ter uma história de vida? A palavra história me lembra o "era uma vez..." e vida, é vida. O conceito é amplo, mas nesse caso, se bem entendo, é duração. Assim, uma história de vida é como um ciclo: tem um inicio quando nascemos e um fim ao morrermos. Se estou certa, o que se passa nesse meio tempo compõe nossa história, pouco importando no que consiste.

    E desde o 24/03/1982 tanta coisa aconteceu....nunca achei que a minha vida foi sem história. Pelo contrário, o que não me falta é história pra contar.

    Quanto a ser chata, reconheço que sou. Mas sou legal tb...e suportável...logo, não é tão terrível assim.

    E o amanhã importa a quem? Eu sempre quis ter 27 anos, tenho. Não tenho mais uma idade a almejar. Não consigo pensar no que serei amanhã ou depois de amanhã. Sei o que sou hoje (com algumas dúvidas, bem entendido) mas é só e me  basta. Sonhar com algo? O que? Meus sonhos são palpáveis...basta pensar e correr atrás pra concretizar. Não fico idealizando nada...pelo menos não mais. Talvez por frustração, mas é como to indo. Pra onde? Não sei!

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  • Confesso que apesar de pensar sobre esse tema há dias, eu havia desistido de postar. Porém, olha como é a vida: hoje vi claramente um caso típico. E ai foi inevitável não tocar no assunto.

    Esses dias, em conversa com um amigo (por e-mail) escrevi sobre uma autoproteçao que tenho em relação a alguns aspectos...e depois, mais tarde, vi pela tv um comentário sobre um livro chamado "o ciclo da auto sabotagem". O livro pelo que entendi fala de como traumas podem desencadear processos autosabotadores e estes serem autodestrutivos. Pois bem, os traumas podem ser de várias naturezas, mas me pus a pensar sobre os do campo amoroso, como o fim de um relacionamento.


    Quando sofremos o trauma, inevitavelmente vamos literalmente pro fundo do poço. E aqui vejo duas situações distintas: tem os que saem e evoluem e os que se autosabotam e se autodestroem. Estes últimos me preocupam mais.

    Quando se está no fundo do poço, podemos ficar lá, curtindo uma depre e tal, mas apesar de por tempos ser um lugar que parece nosso, é sabido que a única alternativa para sair de lá é voltando à superficie. Para baixo e pro lado não há opção e por isso, por mais que demore, a superfície é o caminho.

    Ai, quando voltamos, parecemos ser outra pessoa. Prometemos a nós mesmos e ao mundo que agiremos diferente, que jamais cometeremos os mesmos erros, enfim superamos e a vida será outra. Mas no fundo, somos outros ou os mesmos?

    Ah, pra quem vem la do fundo do poço, por qualquer motivo, somos outros. Acreditamos ser... 

    Ai o tempo passa...a vida continua e o ciclo completa. O que se ve? A pessoa cometendo os mesmos erros, fazendo exatamente igual o que havia prometido jamais fazer! E agora José?

    Aqui entra a ideia de sabotagem...sem se dar conta, ela apenas se enganou. Passou esse tempo todo em um processo de autoenganação. E ai vamos para mais um ciclo...novas promessas e velhas constatações.

    Desse modo, parece que tenho um olhar pessimista, que estamos condenados. Mas não, justamente por causa do outro tipo. Esse outro tipo, é menos preocupante porque me parece ser consciente. Tem vezes que curtimos o fundo do poço de um modo que dali tiramos verdadeiros aprendizados. Decidimos sair e saimos. A vida é ciclica para todo mundo, de fato. Algumas atitudes, queira-se ou não, se repetirão. São nossas. Mas nesse caso, o circulo é espiral...como uma escada. Tem-se a impressao de que estamos no mesmo ponto, mas na verdade não. Caminhamos e chegamos no andar de cima...e assim continuaremos.

    As vezes nos sabotamos por medo, orgulho (ou no meu caso, teimosia). É preferivel nos autoenganar a mudar. E isso porque essa autoenganação tem também dois lados. Ela pode ser do mal, no sentido de que nos priva de coisas que podem ser boas, mas também pode ser do bem, pois adotando a prática no fundo estamos nos autoprotegendo.

    Foi essa autoproteção que me fez chegar aqui...po, eu me privo, mas vejo como mais prudente se pensar no risco de novamente ir poço abaixo.


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    "Oh meu amigo! Eu esperei
    Tanto tempo por respostas
    E depois de tanto tempo
    Ainda havia mais
    Prá esperar..."



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