• Recordar é viver!

    Quem diria, a memória é ativada por uma proteina! E essa descoberta da equipe de um neurocientista americano, Andre Fenton, lembra a idéia do filme "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças".

    Neste, ao descobrir que a mocinha havia o apagado da sua memória, o mocinho faz o mesmo. No experimento com ratos de Fenton, os ratos foram condicionados a saber que ao passar por um determinado lugar, levariam um choque. Depois, separaram dois grupos: um teve alteração (inibição) da proteina que ativa a memória e o outro não. Os que não tiveram, não passavam pelo lugar, enquanto o outro grupo passava como se estivesse ali pela primeira vez.

    Como os ratos foram condicionados, um novo condicionamento fez com que eles produzissem as mesmas memórias que haviam sido apagadas.

    Se, a droga, aplicada nos ratos, chegar a ser usada em seres humanos, gostariamos mesmo de apagar algo? O que?

    Me parece que para usos científicos pode ser uma descoberta interessante, pois abre pressuposto para curar doenças. Mas e para nossos dilemas existenciais? Acho que não.

    Nossa memória tem um sistema que diminui com o tempo a intensidade. Assim, passado um tempo, lembramos, mas junto com a lembrança vem a ficção. Agregamos vontades e a lembrança por pior que seja, torna-se suportável. Principalmente, ensina. E assim como os ratos foram condicionados a não passar pelo mesmo lugar, sem uma memória x, estariamos sujeitos a sofrer o mesmo trauma. Claro que, por ser uma contingencia, pode ser que aquilo não venha a ocorrer, mas será por acaso, visto que não teremos meio de nos esquivar, posto que não temos conhecimentos prévios de uma determinada consequencia.

    A questão de desativar as memórias abre uma infinidade de possibilidades. Não sou capaz de discutir o assunto a exaustão porque haveria muito a dizer. Mas voltando ao filme, apagando as memórias relacionadas a uma pessoa, estariamos apagando também as coisas que vivemos com ela (direta ou indiretamente) e que nos ajudaram a ser quem somos. Não restaria um vácuo? Pior, a vida por vezes é tão sem explicação, imagina se não tivermos acesso a esse "mundo perdido" para buscar respostas, como seria?

    Prefiro não me arriscar a imaginar e principalmente, não abrir mao da possibilidade de um dia desejar lembrar deste dia.


    "A realidade apenas se forma na memória; as flores que hoje me mostram pela primeira vez não me parecem verdadeiras flores " Proust

     


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