"Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento"
(Louis Charles Alfred de Musset)

O que é o perdão? Sabemos perdoar?
A primeira questão pode ser respondida sob um ponto de vista filosófico, psicológico ou conceitual. E de acordo com este último, perdoar é remitir, em resumo, é desculpar. Mas não é algo tão simples. Não é fácil aceitar as desculpas...mais dificil é desfazer-se dos seus efeitos.
E ai entra a segunda questão: desconfio que algumas pessoas não sabem perdoar ou tem grande dificuldade em fazê-lo. E me encontro neste grupo.
Em geral, as coisas caminham até um limite. Vou perdoando ou achando que o faço até o momento do basta. E ai tá o ponto central: se eu de fato perdoasse, não teria um limite, um momento do the end. E por isso retorno a idéia de que não sei perdoar e tampouco o que é o perdão.
Perdoar poderia ser superar. Se fosse, ok e eu seria campeã em perdoamento. As pequenas falhas são superadas...passam batido. Quando chego no limite, também. Viro as costas e tchau. E nesse ponto reconheço uma característica cruel: não importa o quanto a pessoa implore por perdão, não tem volta. Não tem volta, mas também, não por isso guardo ressentimento. A fila anda, as páginas mudam e a vida segue.
"Perdoar pressupõe sempre um pouco de esquecimento, um pouco de desprezo e muita conveniência"
(Jacinto Benavente y Martinez)
Lido muito bem com isso, não tenho incomodos, mas apenas alguns receios. Bom, não dá pra fingir feição e por isso, se deixo de gostar, posso conviver, mas não espere algum afeto. Meu lado super sincero e nada hipócrita não vai além de um social. Mas também por isso, não faço questão de conviver com essas pessoas e ai noto que o circulo diminui...alguns dos espaços vazios são preenchidos, mas não todos e ai o vazio incomoda...mais, c'est la vie et je suis comme ça!